Ação resgata mudas para formar primeiro butiazal em aldeia indígena do RS

Cacique Cláudio Acosta diz que butiá permite produção de alimentos e fornece matéria-prima para artesanato até habitação. (Foto: Fernando Dias/Seapdr)

As 17 famílias da aldeia indígena Mbyá Guarani Guadjayvi, em Charqueadas, uniram-se em um mutirão de plantio de butiás, garantindo proteção da biodiversidade e dos modos de vida da comunidade. São 400 mudas que estavam em uma área florestal da Celulose Riograndense, foram coletadas e transportadas para a aldeia para a formação de um butiazal, espécie nativa importante para a cultura indígena. “Nós podemos fazer muitas coisas com o butiá: sucos, polpa, alimentos. Dá para aproveitar a folha para fazer artesanato, como peneiras, balaios e até casas”, comemora o cacique Cláudio Acosta.

A coleta, o transplante e o plantio das mudas foi realizado de segunda a quinta-feira (12) e envolveu indígenas, pesquisadores da Embrapa responsáveis pelo projeto Rota dos Butiazais e do Conselho Estadual dos Povos Indígenas (Cepi), responsável pelo Projeto PAN Lagoas do Sul, junto com as secretarias da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Emater, conveniada da Seapdr, e Celulose Riograndense.

“Esta ação pioneira de recuperação e plantio obteve muito sucesso e pode fomentar novos projetos ligados à segurança alimentar e à geração de renda nesta aldeia. Outro ganho é a possibilidade de replicá-la para outras aldeias interessadas em recuperar suas áreas e repovoar com uma espécie nativa tão especial para as culturas indígenas”, afirma Márcia Londero, socióloga da Divisão Indígena da Seapdr.

Durante o processo, seis indígenas foram contratados e receberam diárias para atuar no mutirão. O projeto forneceu também ferramentas e alimentos que foram preparados por duas mulheres indígenas Mbya Guarani, também remuneradas durante os quatro dias de mutirão.

A ação faz parte da Rota dos Butiazais, que conecta as pessoas interessadas no uso sustentável do butiá. (Foto: Fernando Dias/Seapdr )

“O que é legal é poder juntas forças e utilizar uma técnica, o resgate de mudas, para replicar e disseminar uma espécie que está ameaçada e ainda levar algum recurso para a comunidade”, afirma Luciana Michels, analista de manejo ambiental da Celulose Riograndense.

O trabalho está amparado por uma das atribuições do Cepi como responsável pela ação 3.26 do Plano Nacional para a Conservação dos Sistemas Lacustres e Lagunares do Sul do Brasil (PAN Lagoas do Sul), que tem como um de seus objetivos fomentar ações que promovam o modo de vida tradicional das comunidades indígenas.

“O Rio Grande do Sul tem oito espécies de butiás, todas na lista da flora ameaçadas de extinção, razão pela qual urgem ações de repovoamento/restauração de ecossistemas como esta do butiazal”, afirma Joana Bassi, analista ambiental da Sema.

O projeto deve possibilitar novas parcerias da Divisão Indígena da Seapdr com outras instituições, dentro de suas atribuições de desenvolvimento da etnosustentabilidade nas aldeias. Já há interesse de instituições como a UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul) para trabalho nas aldeias perto de Tapes e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). No Rio Grande do Sul, existem 128 aldeias, entre caingangues, guaranis e charruas.

O que é a Rota dos Butiazais

A ação faz parte da Rota dos Butiazais, uma iniciativa da Embrapa que conecta as pessoas interessadas no uso sustentável do butiá com a conservação dos ecossistemas de butiazais e sua biodiversidade. O objetivo da Rota dos Butiazais é estimular a conservação da biodiversidade pelo uso, com a adoção de boas práticas de manejo, para garantir sua permanência para as gerações futuras e a sustentabilidade do ecossistema.

Atualmente a Rota dos Butiazais é composta por 29 municípios do Rio Grande do Sul, 5 de Santa Catarina, 6 locais no Uruguai e 3 na Argentina. Totalizando 43 pontos que estão representados no mapa por palmeiras.

Fonte: Ascom/Seapdr

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