O combate à mosca da bicheira está em debate em Porto Alegre

(Foto: Divulggação/Seapdr)

O combate à mosca causadora da miíase (Cochliomya hominivorax), mais conhecida como mosca da bicheira, está em debate esta semana num Curso sobre Capacitação e Vigilância Epidemiológica para Erradicação da Mosca da Bicheira. O curso vai até sexta-feira (11) no Hotel Intercity, em Porto Alegre, e reúne 15 países das Américas do Sul e Central. Ele é organizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A mosca da bicheira é um dos insetos parasitas mais danosos à pecuária nas zonas tropicais e subtropicais da América, causando severos prejuízos econômicos, já que ataca animais de sangue quente, como bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos, aves, animais silvestres, domésticos e inclusive o homem. E por esta razão, ela consta na lista dos principais organismos internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e a OIE (Organização Mundial da Saúde Animal), como zoonose prioritária de combate em países da América devido ao seu impacto na saúde pública, especialmente na população de baixa renda, moradora de regiões sem as mínimas estruturas de saneamento.

Estima-se que no Brasil se gaste 380 milhões de dólares/ano no combate à mosca. As espécies ovinas são mais suscetíveis (atinge 2,3% do rebanho), enquanto a incidência com óbito nas raças bovinas é de 0,3% do rebanho.

Projeto-Piloto

O Brasil começa a trilhar o caminho seguido por países da América do Norte e América Central, que já erradicaram totalmente a ação da mosca da miíase. O sul da América do Sul, mais especificamente a fronteira entre o Brasil e o Uruguai, foi definida como área piloto para um trabalho que no futuro pode se estender para outras regiões do País.

O primeiro projeto piloto de erradicação da mosca na América do Sul ocorreu de 2009 a 2010, em uma área de 60 quilômetros, delimitada geograficamente e distribuída igualmente entre o Brasil e Uruguai, na região de Quaraí e da cidade uruguaia de Artigas. A região foi escolhida por possuir pecuária extensiva, características de clima, solo e topografia semelhantes. O resultado foi uma redução em mais de 21,5% da população de moscas na região testada, demonstrando que um programa desta magnitude poderia dar certo na América do Sul.

Fonte: Ascom/ Seapdr RS