Turismo em Campos: viabilidade ou utopia?

Por Vilmar Rangel*

A série de seminários que a ACIC (Associação Comercial e Industrial de Campos) empreende sobre turismo no município acontece num momento mais que propício  ̶  único. Estamos testemunhando, aqui e em coletividades vizinhas, o ingresso de enorme volume de capital, em forma de enormes e diversificados empreendimentos, destinados a transformar profundamente a realidade sócio-econômica da região. Junto a essa sacudida (que esperamos seja definitiva) em nossa letargia chegarão forasteiros ávidos por conhecer nossos costumes, nossa cultura e  ̶  por via de consequência  ̶  nossos atrativos turísticos. Independentemente dessa curiosidade inevitável, a própria população, já inserida em nova e positiva realidade, por haver se beneficiado, de diferentes modos, com tais avanços, verá aguçada a sua necessidade por lazer e por conhecimento do que nossa terra pode lhe proporcionar.

Quem acompanha a gestão pública no município identifica, sem esforço, três situações que explicariam as razões pelas quais ainda não dispomos daquilo que se convencionou qualificar de política de turismo: 1) longo período de insuficiência de recursos, pré-era dos royalties; 2) descontinuidade administrativa, contrastando com a euforia dos royalties; 3) desconhecimento profissional; 4) pouca importância atribuída às imensas possibilidades que o turismo proporciona como alternativa concreta de desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental.

Campos possui um Conselho Municipal de Turismo e um Convention Bureau. Falta-lhes a oportunidade de um entrosamento mais permanente e consequente com o órgão público que (ao menos teoricamente) se responsabiliza pela implementação da atividade. Enquanto os poderes Legislativo e Executivo não se convencerem da conveniência da criação de um órgão específico (Secretaria ou empresa pública), com orçamento e programas próprios, que então o setor dedicado ao turismo, vinculado a uma pasta, seja efetivamente valorizado e fortalecido. Com ricas tradições históricas e culturais, natureza pródiga e inúmeras outras potencialidades a serem inventariadas, Campos merece ter seu turismo fomentado e estruturado de forma dinâmica, permanente e profissional. A iniciativa privada (local ou externa) deve ser atraída com incentivos e facilidades legais, dividindo com o gestor público a responsabilidade pelo incremento de um setor privilegiado em alternativas de exploração altamente promissoras: negócios, religião, arquitetura, esporte, história, cultura (em todas as suas vertentes), gastronomia, belezas naturais, aventura, agro ou ecoturismo etc.

 

Estamos falando de uma atividade que emprega ou convoca guias, intérpretes, transportes, hotéis, restaurantes e pousadas, taxistas, “chefs” e garçons bem preparados, guardas especializados, uma infinidade de ocupações. Todas elas, no entanto, carecedoras de preparo e especialização. Paralelamente, a cidade precisa ser preparada para receber e bem tratar o cidadão, seja ele turista ou morador: calçadas sem armadilhas, nomenclatura de ruas, rede elétrica modernizada, vigilância, limpeza, trânsito civilizado, estradas conservadas, enfim, todo um aparelhamento que seduza e satisfaça o cliente-turista. Para alcançar esse patamar, inúmeras secretarias municipais devem ser envolvidas, interligando responsabilidades.

Por fim: a infância e a juventude reclamam informação e formação quanto à história da terra, para que dela se orgulhem, experimentem o sabor do pertencimento e se tornem multiplicadoras de nossas qualidades como povo e lugar. Fora das premissas acima enumeradas  ̶  salvo melhor juízo  ̶ , dificilmente serão frutíferos os esforços que, em boa hora e promissoramente, desenvolve o Executivo. É hora de impedirmos que  esse rico filão econômico e social continue sendo uma distante e amarga utopia.

 *Profissional de comunicação